O artesanato vem se tornando cada vez mais um forte aliado no empoderamento de mulheres, sendo de grande importância na transformação de tradições e de famílias. Através do trabalho artesanal, mulheres estão sendo inclusas no mercado de trabalho, tendo a valorização de sua mão de obra e construindo uma nova realidade social para suas famílias.

Segundo pesquisa do Sebrae, nos últimos dois anos, a proporção de mulheres empreendedoras que são “chefes de domicílio” passou de 38% para 45%. Com o avanço, a atividade empreendedora passou a conferir às donas de negócio a principal posição em casa, superando o percentual de mulheres na condição de cônjuge (situação verificada quando a principal renda familiar provém do marido). O estudo constatou ainda que as representantes do sexo feminino empreendem movidas principalmente pela necessidade de ter outra fonte de renda ou para adquirir a independência financeira.

Inúmeras mulheres estão finalmente assumindo seu papel na economia, unindo suas potencialidades para auxiliar umas as outras, sendo grandes agentes da mudança na erradicação da desigualdade com seu empreendedorismo e trabalho.

As mulheres definiram caminhos diretos para a igualdade de gênero e o crescimento econômico inclusivo. Atualmente, mulheres de todo o país estão em postos de grandes contribuições para a economia e o artesanato vem ajudando diversas mulheres a conseguirem essa independência.

O artesanato contra o fast fashion

Não só no Brasil, como em todo o mundo, a indústria da moda acaba sempre tendo um papel explorador e desigual. Pesquisas apontam que uma costureira do setor chega a receber 60 dólares por mês para costurar roupas de fast-fashion, além dos salários baixos, mulheres do mundo todo tem de enfrentar condições desumanas e desagradáveis em seus ambientes de trabalho, uma a cada três trabalhadoras do setor de moda já enfrentaram assédio sexual.

A princípio, cerca de 80 bilhões de peças de roupas são vendidas anualmente, em sua maioria através do fast fashion. É a indústria da moda que tem como fórmula a exploração da mão de obra e o consumo desenfreado da sociedade.

Estamos cansados de ver como o poder cultural das roupas acaba sendo usado pela maioria dos grandes varejistas para estimular um consumo exagerado. Aumentando seus lucros com peças feitas com força de trabalho escravo e barato.

Basta lembrar do caso do desabamento de um prédio de confecções em Bangladesh, com nada menos que 1127 mortes, trabalhadores reclamavam e meses das péssimas condições de trabalho e chegaram a alertar os proprietários diversas vezes sobre as rachaduras nas paredes, alerta que foi ignorado pelos empresários. Desastre esse causado pela moda e pelo boom do crescimento de consumo das redes de fast-fashion.

Apesar de uma indústria baseada na exploração, em contra ponto temos a nova tendência mercadológica dos consumidores mais conscientes, já existe uma maior procura por produtos artesanais e produzidos de forma mais consciente. Cada vez mais o consumidor se liga ao emocional e ao que trás algum significado na hora da compra.

E o trabalho artesanal é repleto de significado, além do resgate cultural vem se tornando um enorme gerador de renda, passou pela fase do esquecimento mas voltou para ficar e para ter um papel importante na humanização da moda e na liberdade de diversas mulheres.

A chegada do movimento “how made your clothes?”

O movimento “how made your clothes?” chegou para ajudar nessa conscientização do consumo, há 5 anos no Brasil , foi um marco criado pela organização Fashion Revolution e propõe o questionamento “quem fez minhas roupas?”, proposta que visa trazer aos holofotes o questionamento de como roupas no mundo todo são produzidas. Convida marcas a postarem seus trabalhadores e contarem a historia por trás da sua produção, trazendo mais transparência para o consumidor final e com isso promovendo a mudança de comportamento dos consumidores e principalmente sua mentalidade quanto ao consumo.

Campanhas como essa ajudam a entender que existem mulheres reais e com histórias reais por trás de cada peça. Ao comprar produtos feitos de forma correta, ou seja, boas condições de trabalho e salários justos o consumidor está ajudando a melhorar ativamente a vida de inúmeros trabalhadores.

Empresas valorizando o artesanal e empoderando mulheres empreendedoras

Diante de todo esse quadro negativo causado pela indústria da moda, em contra partida temos o crescimento e a valorização do trabalho artesanal e o seu reconhecimento vem ganhando força perante o consumidor de moda, pois estes entenderam como o trabalho manual pode levar ao empoderamento feminino, assim como elevar a economia local, dar condições de trabalho mais humanas e ainda auxiliar mulheres do mundo todos a aumentarem suas rendas.

Já existem diversas organizações que vivem o manifesto de defender a moda como uma força para o bem. Elas capacitam mulheres aumentando suas chances de trabalhos, ensinam novas habilidades e diversas técnicas de criação para seus negócios.

Existe ainda um oceano que separa o trabalho artesanal e a realidade do consumo da moda, mas os desafios estão sendo superados. E o trabalho artesanal vem ganhando força e uma importante missão: a de empoderar mulheres através da liberdade econômica e do combate a desigualdade.

Outro ponto importante é o reconhecimento do trabalho artesanal perante os consumidores mais conscientes, que desejam saber exatamente tudo sobre o que estão comprando. Assim garantem que os valores estejam de fato alinhados com suas compras. É a grande chance de empresas, que focam na sustentabilidade das relações, de conectar os clientes com seus fabricantes promovendo assim uma moda mais justa e mais humana.

É o caso das vendas online, um forte aliado de mulheres artesãs e empreendedoras, além de pontos físicos de venda, cada vez mais mulheres estão investindo em visibilidade na internet que permite que seus produtos tenham um alcance maior tanto nacional como internacionalmente.

Um site que acredita e investe no poder do trabalho artesanal é a Thirty Seven Tred que atua com produtos brasileiros feitos por mulheres artesãs e empreendedoras – visão que a CEO e fundadora Nathalie Serafin leva no DNA da empresa, “Acreditamos no poder transformador do trabalho artesanal na moda e na vida de diversas mulheres, a 37 Trend foi criada para apoiar e difundir o trabalho manual e o consumo consciente.” , segundo a fundadora o artesanato deve ser perpetuado, “o artesanato com a industrialização e a evolução da produção perdeu seu valor e nós queremos resgatar essa técnica milenar através do empoderamento de mulheres artesãs. Queremos apoiar e levar o trabalho dessas mulheres a nível internacional.”.

E foi assim que surgiu em 2017 a ideia de criar um marketplace que pudesse conectar consumidores a empreendedoras. A 37 Trend visa promover marcas que tem a filosofia da produção artesanal, sustentável e do consumo consciente dando maior visibilidade e empoderamento a mulheres de todo o país e também conscientizando o consumidor do seu papel na sociedade, “ queremos falar de modo simples sobre a importância de consumir produtos feitos artesanalmente, é possível criar mais consciência quando o consumidor entende que por trás daquele produto teve uma pessoal real e não uma máquina. Consumidores mais conscientes fazem um mundo melhor!”

Já existem inúmeras lojas virtuais que efetuam diferentes manifestações no trabalho artesanal, coletivos femininos que vem se tornando enormes ferramentas geradoras de empoderamento social e de fonte de renda em todo o país. Existem diversos grupos, em especial nas redes sociais, que efetuam a divulgação do trabalho artesanal, feito exclusivamente por mulheres.

As mulheres ainda tem um longo caminho para a igualdade mas é através desse apoio e de consumidores conscientes que empresarias do mundo todo estão  conquistando seu espaço e sua liberdade financeira.

E você vai ficar ai parado ou fazer parte desse movimento?, nós da Thirty Seven Trend queremos convidar você a mudar suas escolhas e apoiar marcas e artesãs. Vem conhecer todas as marcas presentes em nosso site, vem!

Mude suas escolhas, compre de quem faz!